sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sobre o belo...

Assim como acredito que o belo
só existe plenamente nos olhos de quem vê,
acredito que sentimentos só existem, essencialmente,
para quem os sentem.

A beleza que há em sentir
Embora seja despertada por um segundo elemento
Não se origina nele.
A beleza do que se sente
Habita é em quem sente.

Talvez por isso, possa parecer tão incompreensível
Que uma pessoa feia de sentimentos
Possa acender em outrem os mais belos sentimentos,
Sem querer ou merecer.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sobre o improviso...

Calado não pode ficar
Apesar de não poder falar
Sobre nada por não saber
Como se expressar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre a caduquice...

Aos poucos as lembranças
vão se tornando raras
Assim como a memória vai ficando rasa
De passado:
Bem ou mal vivido.
Natural que seja assim
Se o tempo leva consigo tudo
que não se fixa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sobre o decorar...

Decorei você
O cheiro, o gosto, os gestos.
Decorei você como se assim precisasse
Para sempre apreender e reaprender
A con[tigo]viver

E viver
O calor da pele
O pulsar dos nervos
Outra vez.

Tudo gravado na memória está
E sobretudo, no corpo, no desejo em estar
A queimar de novo
Como se assim fosse para manter
Aceso o fogo que arde e flameja
Relutante em apagar
Reacendendo cada vez mais forte
Com as lembranças de você.

A sua cor é fulgor
Sua pele calor
O seu sabor néctar
E o seu cheiro é flor
O único que sinto prazer em sentir.

Decorei você, sem me esforçar
Como se assim devesse ser...
Para te aprender, e ter.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sobre a esperança... [2]

Como qualificar a esperança
quando ela persiste
mesmo em face da desilusão?

Sobre a lua...

A lua me sorriu
Achei que era um bom sinal,
Mas uma nuvem a encobriu
E levou consigo a minha chance
De sorrir de volta.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sobre a solução...

Num mergulho no absoluto silêncio de mim,
sopro para longe todo pensamento carregado de paixão
que tanto cega e emburrece;
e tento enxergar as coisas sob uma ótica
que seja mais lógica e lúcida.

Eis que com essa percepção,
encarada, a custo, por mais de alguns minutos,
sinto-me esvaziar de você.

Em outros tempos, nesse instante de esvaziamento,

subitamente, eu fecharia os olhos para a realidade
e me voltaria para a velha ilusão.
Mas hoje não.
Eu deixo você ser expelido, e jogado no vácuo
das coisas que já passaram.

Muda, como se fosse forte, só observo você

Sendo levado embora;
como se eu não tivesse um choro contido
por não ter sequer forças para chorar.

Sobre a memória...

A sua imagem na memória desnorteia, faz arfar.
Põe um sorriso no rosto da vontade que se tem de fazer o oposto.
Tudo porque você ultrapassa a lembrança,
Se fazendo presença nessa ausência, que é tão difícil suportar
Contrariada pelo tempo, distância e a falta
De tudo o que é você.
Tão frustrante é ver e não poder ter.

Sobre o bem estar...

Há dias em que penso em você com tanta intensidade
que me parece que você também está pensando em mim,
e que uma força invisível funde nossos pensamentos
num espaço de tempo, que por uns instantes,
mais parece infinito.
E faz sorrir.

Sobre a esperança...

Ainda que chova,
se me vem à mente pensamentos de esperança,
o meu mundo novamente se enche de cor e luz!
Mas basta um só pensamento contrário
para que toda cor escorra com a água
transformando tudo em cinza outra vez.

Sobre o entardecer...

E assisto ao por do sol, que em suas cores e luz,
recebe como fundo musical o canto dos pássaros,
e o vento a chacoalhar as palhas dos coqueiros...
Tão logo o sol, agora acompanhado de música,
cederá o espaço para a noite, e seu silêncio.

Sobre o giro...

Às vezes, o mundo parece girar.
Dançando, nem me dou conta
de que na verdade,
quem gira
sou eu.

Sobre ser pega pela chuva...

A chuva beijou meus lábios
Beijou meu rosto
E por fim, o meu corpo todo.

Sobre o perigo...

É naquele vazio de palavras,
mas cheio de olhar
que habita o perigo:
o desejo.

Sobre a loucura...

Sou louca.
E nem a religião me salvaria da minha loucura;
na minha loucura eu vejo Deus.

Sobre a realidade...

Transporte-me para perto de Ti, ó Deus!
Para que do alto as coisas não me pareçam
maiores do que realmente são.
E eu possa, enfim, encontrar a paz de espírito
da qual tanto preciso.

Sobre o pensar...

Penso em você, e não encontro palavras
que possam expressar o que vejo ao te olhar
e o que sinto ao te observar...
Me esforço... mas não há inspiração.

Expressão alguma parece ser capaz
de traduzir aquilo que sinto quando penso em você,
Ou que possa justificar o meu desejo todo em você.

Então, eu desisto, porque se eu quisesse falar
do exterior seria fácil.
Difícil é querer falar sobre o que não se vê
Só se sente.
E ninguém entende.

Sobre o que se sabe...

Posso deixar de olhar pra trás
Mesmo assim não deixarei de te ver
Porque te vejo no desejo atual
De te cumprir no meu futuro.

Almas não se enganam
Te reconheci

É você
Percebi quando a alma não coube em si
E transbordou pelo corpo
Me fazendo sentir, fluir.

Sobre as vidas que se encostam...

Numa despretensão, foi que houve a abertura de um caminho
que, um dia, iria encostar as nossas vidas.
Nada parecia assim tão instigante
até à prova da tua boca, da tua pele, do teu suor...

Mas o caminho se refez,
e as nossas vidas se desencostaram.

O tempo tem passado, e nesse passar só ouço o silêncio
a gritar a distância que tem crescido entre nós.
Mas não te esqueço: te vejo quando me olho no espelho,
sinto o teu cheiro, quando eu sinto o meu.

Não deixo de te desejar a todo instante e sempre,
quando fecho os olhos posso reviver
tudo que vivi contigo:
o peso, o calor, o sabor, o sal, a carne, o tremor...

E assim como na hora olhei pro alto e pensei
"Meu Deus! Eu gostaria para sempre!",
me surpreendendo com a força dos meus pensamentos,
e desejos todos em você,
e penso "Meu Deus! O que é isso?"

Vez ou outra,
penso em redirecionar meus passos,
para fazê-los me levar até você,
mas entristeço de vergonha,
e me abstenho da ideia de encontrá-lo.
Se for de ser, um dia, um caminho há de fazer
nossas vidas se encostarem, outra vez.

Sobre o acidente...

Ela vinha caminhando na rua,
com um sorriso de canto nos lábios.
Ora olhando pro chão, ora olhando pro céu
Lembrando de como ele era incrível.
Ao atravessar a rua
Não viu que por trás de um caminhão,
vinha um carro.