sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre a resposta...

Ontem dormi incógnita
Hoje acordei resposta:
Acredito em amor e destino.
E eis o motivo
De tudo que não vivo
Por idealizar demais.


(26 de março de 2015)

Sobre o profundo...

Coragem mesmo é querer profundar
Quando a maioria quer superficializar
Julgando profundo ser
o mergulho naquilo que é superficial.

Se as profundezas quiserem tragar:
Imersão.
Se as profundezas quiserem destruir:
Emergir.

Quanto tempo temos?
A vida é curta para se viver com boia.
Mergulhar no sentir, e sentir o viver.
E viver tudo o que há pra sentir.

Sobre a mentira...

O baixo da mentira 
é que sobre ela
podem ser construídas verdades,
cujo concreto, nem se sabe,
é pura ilusão.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Sobre o ver...

Vejo coisas bonitas em você
porque estas coisas
que na verdade
existem em mim
se projetam em você
que é quem eu quero. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sobre a certeza...

Se certeza existe 
Eu a tenho quando penso
No meu desejo
De ficar com você
De estar com você
De grudar em você.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sobre o desabafo...

Escrevo como quem confidencia a Deus
Em segredo o que se passa em minha mente
O que aflige o meu coração.

Se ninguém parece me entender
Se todos tentam rotular o meu ser
Tentando enquadrar meus sentimentos
na estreita percepção que têm de mim,
Sinto-me sozinha.

Sozinha. Sozinha.
Minha solidão parece ecoar
E ainda mais me desesperar.

Sei que Deus me ouve e entende.
Só ele.
Mas insiste em me ignorar.

Se eu já não tenho forças
Se eu já não consigo evitar que esse coração acelere,e me aperreie sem parar.
Pulsa e machuca, porque me faz lembrar que estou só.
Só no sentimento,só neste círculo aberto,só na incompreensão.

Se não é Deus quem vai fazer meu coração ser feliz,
Quem será?
Se não é para prender, quero me libertar.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sobre o apanhar...

O coração bate, e o corpo todo apanha
Pulsa forte
Posso sentir o compasso das batidas do meu coração
Fazer vibrar as várias partes do meu corpo
Braços, mãos, dedos, pernas e pés

Incontrolavelmente
Insuportavelmente.

E o peito a doer
E a vontade de poder vomitar 
Este tolo coração 
Só para não mais senti-lo bater forte em mim
Todas as vezes em que penso em ti.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Sobre a reclamação...

O tempo passa cheio de silêncio,
e dentro desse silêncio tanto sentimento há, em mim.

O coração reclama coisas 

que as palavras não conseguem exprimir.
E esse reclamar nem com revolta é,
é com uma tristeza... que me faz parar no tempo,
lamentar, e suspirar.
Ele reclama como quem pasma em face de uma decepção da vida.

E eu que sempre me defendo, mas que sempre

sou vencida, me sinto derrotada
pela minha sentimentalidade. 

Mania de sempre sentir como se fosse a primeira vez!

Ou seria como se fosse a última?

O lado ruim do querer é ter que desquerer

o que tanto se quer.
Como esquecer quando não se aceita essa necessidade?
Se desde há muito não deixei de te querer,
nem um pouquinho sequer. Tem sido como sempre foi.

É até maldade desfazer de um querer assim!

Eu por achar que mereço você, e pela primeira vez
achar que alguém merece a mim.

Entrego a memória ao tempo,

mas sempre torço para que eu não precise mesmo
te esquecer.
Mas como para o Tempo eu não tenho querer...

Resigno-me, e só espero 

para assistir você viver com outra,
a vida que eu sonhei viver com você.

Talvez se eu pudesse ver o que há a minha frente, 

não olhasse tanto para trás,
te mantendo,
ainda que insistentemente,
no meu presente.

É difícil estar pronto pr'o que não há de ser.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sobre o encontro...

A lembrança daquele olhar pesa
Pesa na memória
Pesa neste pobre coração...

Os olhos que dantes brilhavam ao encontrarem os meus
Hoje nem os veem mais.

Como uma sombra anônima passo em tua vista
Como se nada aconteceu
Como se aquele brilho nunca existiu...

Para onde foi
O sorriso que o teu olhar sorria ao cruzar com o meu?

Decerto, ele achou mais graça em outro alguém
e passou a sorrir em outro olhar...

Pena dá de mim que sempre fico assim ao te encontrar
Esperando que o teu olhar
Novamente possa sorrir
Pra mim.

Meus olhos que sorriem ao te avistar
Logo caem em desprazer
quando tu não os vês.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sobre a poesia...

A vida sem poesia, para mim,
seria uma vida sem beleza.
Porque ainda quando triste,
a poesia é uma beleza.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Sobre o amor...

    Suponho que o amor seja aquele estado de sentir e querer.
    Talvez inconsciente decisão reincidente pela mesma pessoa.
    Aquilo que transpassa o tempo, e os temores e os possíveis novos amores;
    que por mais que se tente racionalizar, só na inexplicável sensação,
    e tão somente na emoção encontra seu lugar.
    Afrontando o saber, os argumentos e afins.
    Concluindo tão somente que se ama apesar,  e porque sim.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sobre o vento...

    Coisa mais linda é ouvir
    O vento soprar com força assim
    Fazendo as folhas, as palhas e mais
    Musicarem tudo ao redor.
    Eu ficaria horas sentada num canto...
    Só ouvindo esse vento soprar
    E sentindo sua benevolência a me acalentar... 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sobre o belo...

Assim como acredito que o belo
só existe plenamente nos olhos de quem vê,
acredito que sentimentos só existem, essencialmente,
para quem os sentem.

A beleza que há em sentir
Embora seja despertada por um segundo elemento
Não se origina nele.
A beleza do que se sente
Habita é em quem sente.

Talvez por isso, possa parecer tão incompreensível
Que uma pessoa feia de sentimentos
Possa acender em outrem os mais belos sentimentos,
Sem querer ou merecer.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sobre o improviso...

Calado não pode ficar
Apesar de não poder falar
Sobre nada por não saber
Como se expressar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre a caduquice...

Aos poucos as lembranças
vão se tornando raras
Assim como a memória vai ficando rasa
De passado:
Bem ou mal vivido.
Natural que seja assim
Se o tempo leva consigo tudo
que não se fixa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sobre o decorar...

Decorei você
O cheiro, o gosto, os gestos.
Decorei você como se assim precisasse
Para sempre apreender e reaprender
A con[tigo]viver

E viver
O calor da pele
O pulsar dos nervos
Outra vez.

Tudo gravado na memória está
E sobretudo, no corpo, no desejo em estar
A queimar de novo
Como se assim fosse para manter
Aceso o fogo que arde e flameja
Relutante em apagar
Reacendendo cada vez mais forte
Com as lembranças de você.

A sua cor é fulgor
Sua pele calor
O seu sabor néctar
E o seu cheiro é flor
O único que sinto prazer em sentir.

Decorei você, sem me esforçar
Como se assim devesse ser...
Para te aprender, e ter.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sobre a esperança... [2]

Como qualificar a esperança
quando ela persiste
mesmo em face da desilusão?

Sobre a lua...

A lua me sorriu
Achei que era um bom sinal,
Mas uma nuvem a encobriu
E levou consigo a minha chance
De sorrir de volta.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sobre a solução...

Num mergulho no absoluto silêncio de mim,
sopro para longe todo pensamento carregado de paixão
que tanto cega e emburrece;
e tento enxergar as coisas sob uma ótica
que seja mais lógica e lúcida.

Eis que com essa percepção,
encarada, a custo, por mais de alguns minutos,
sinto-me esvaziar de você.

Em outros tempos, nesse instante de esvaziamento,

subitamente, eu fecharia os olhos para a realidade
e me voltaria para a velha ilusão.
Mas hoje não.
Eu deixo você ser expelido, e jogado no vácuo
das coisas que já passaram.

Muda, como se fosse forte, só observo você

Sendo levado embora;
como se eu não tivesse um choro contido
por não ter sequer forças para chorar.

Sobre a memória...

A sua imagem na memória desnorteia, faz arfar.
Põe um sorriso no rosto da vontade que se tem de fazer o oposto.
Tudo porque você ultrapassa a lembrança,
Se fazendo presença nessa ausência, que é tão difícil suportar
Contrariada pelo tempo, distância e a falta
De tudo o que é você.
Tão frustrante é ver e não poder ter.